
A Emirates é amplamente reconhecida pela qualidade da sua experiência a bordo, sobretudo nas cabines de Classe Executiva e Primeira Classe. Naturalmente, muitos passageiros buscam formas de acessar essas cabines premium pagando menos — seja por meio do uso de milhas ou por ofertas pagas de upgrade. Dentro desse contexto, o programa Emirates Skywards apresenta uma das estruturas mais amplas e previsíveis de upgrade entre as grandes companhias aéreas globais.
Embora o Skywards não seja, de forma geral, o programa mais vantajoso para emissões puras de bilhetes-prêmio quando comparado a outros programas internacionais, ele se destaca especificamente na política de upgrades. A combinação de elegibilidade ampla, possibilidade de confirmação antecipada e disponibilidade até o último assento no dia da partida torna o modelo particularmente relevante.
Quais bilhetes permitem upgrade?
A Emirates estrutura suas tarifas em quatro categorias conceituais: Special, Saver, Flex e Flex Plus. Essas categorias valem tanto para bilhetes pagos em dinheiro quanto para passagens emitidas com milhas.
As tarifas Special não permitem upgrade em nenhuma circunstância. Já as tarifas Saver permitem upgrade exclusivamente no dia da partida, seja no aeroporto ou a bordo da aeronave. As tarifas Flex e Flex Plus são mais flexíveis e podem ser upgradeadas desde o momento da emissão até o embarque, desde que haja disponibilidade.
Um ponto técnico fundamental é que o bilhete precisa ter sido emitido diretamente pela Emirates. Passagens emitidas por companhias parceiras, ainda que para voos operados pela Emirates, não são elegíveis para upgrade com milhas Skywards se estiverem em outro estoque de bilhete.
De maneira geral, o upgrade é permitido para apenas uma cabine acima da originalmente emitida. Há, contudo, uma exceção relevante: passageiros da Classe Econômica podem, quando elegíveis, pular a Premium Economy e realizar upgrade diretamente para a Classe Executiva.
Outro detalhe importante diz respeito à Primeira Classe. Para emitir diretamente um bilhete-prêmio nessa cabine é necessário possuir status elite no Skywards. Entretanto, membros sem status podem utilizar milhas para fazer upgrade para Primeira Classe, o que cria uma alternativa estratégica interessante.
Quantidade de milhas exigidas e estrutura de cobrança
A Emirates disponibiliza em seu site uma ferramenta oficial de cálculo que permite consultar a quantidade de milhas necessárias tanto para emissões completas quanto para upgrades. O custo varia conforme a rota, a cabine original e o tipo tarifário adquirido.

Caso o upgrade exija um volume elevado de milhas, vale mencionar a existência do Skywards+, versão paga do programa, que pode oferecer até 20% de rebate no custo de upgrades. Dependendo do perfil do viajante, essa redução pode alterar significativamente a relação custo-benefício.
Somente milhas Skywards podem ser utilizadas para upgrades. Ainda que programas como Air Canada Aeroplan e Qantas Frequent Flyer permitam emitir bilhetes da Emirates como prêmio, esses pontos não podem ser aplicados em upgrades.
No que se refere a encargos adicionais, upgrades não geram sobretaxas de combustível impostas pela companhia. Contudo, eventuais impostos governamentais adicionais podem ser cobrados caso a cabine superior esteja sujeita a tributos mais elevados, como ocorre em determinados países.
Disponibilidade e confirmação de upgrades
A disponibilidade de upgrade antecipado acompanha, em linhas gerais, a disponibilidade de emissão direta com milhas na cabine superior. Para tarifas Flex e Flex Plus, é possível confirmar imediatamente o upgrade no momento da emissão caso haja assento disponível. Caso contrário, o passageiro pode entrar em lista de espera, que permanece ativa até 48 horas antes da partida. Se não houver confirmação até esse prazo, a lista é automaticamente cancelada.
A partir daí, o passageiro pode novamente solicitar upgrade no aeroporto ou a bordo. É nesse momento que entra um dos maiores diferenciais do programa: a política de disponibilidade até o último assento no dia da partida. Na prática, se houver lugares vagos na cabine desejada e o passageiro solicitar com antecedência suficiente no aeroporto, as chances de sucesso são significativamente elevadas. Trata-se de uma política incomum no setor e que aumenta a previsibilidade da estratégia.
Quando o upgrade pode ser mais vantajoso que emitir direto?
Em determinadas rotas, pode ocorrer uma distorção interessante entre emissão direta e emissão com posterior upgrade. Tomemos como exemplo o trecho Nova York (JFK) – Dubai (DXB). Um bilhete-prêmio Flex Plus em Classe Executiva pode custar 138.000 milhas, além de aproximadamente US$ 835 em taxas e encargos. Já a emissão em Classe Econômica Flex Plus no mesmo voo pode exigir 50.000 milhas e cerca de US$ 203 em taxas. Se houver disponibilidade confirmável, o upgrade para Executiva pode custar 70.200 milhas adicionais.
Nesse cenário, o total seria 120.200 milhas e US$ 203 em taxas, valor inferior tanto em milhas quanto em encargos quando comparado à emissão direta em Executiva. A limitação é que, após esse upgrade, não seria possível avançar para Primeira Classe. Ainda assim, é uma dinâmica pouco intuitiva e frequentemente ignorada.
Relatos práticos de upgrade pago no aeroporto
Entre 2017 e 2020, viajei diversas vezes para a Oceania e voei com a Emirates em três ocasiões relevantes, nos trechos Sydney–Auckland e Singapura–Brisbane.
No voo entre Sydney e Auckland, operado pelo Airbus A380, tentei realizar um upgrade online por AUD 200. O pagamento, por algum erro sistêmico, não foi processado. No dia do voo, já acomodado na Classe Econômica, apresentei à comissária o e-mail e o print da tentativa frustrada. Após consulta interna antes da decolagem, foi oferecido upgrade para Classe Executiva por AUD 500. Aceitei a proposta. Na ocasião, eu não possuía status elite no Skywards nem em programas parceiros, e o bilhete havia sido integralmente pago em dinheiro.
Dois anos depois, durante o check-in em Singapura para um voo de aproximadamente oito horas até Brisbane, operado por um Boeing 777-300ER, perguntei novamente sobre possibilidade de upgrade. Foi apresentada oferta de SGD 600 para migração à Executiva. Optei por não aceitar. Novamente, tratava-se de bilhete pago em dinheiro e eu não possuía qualquer status elevado.
Esses dois episódios sugerem um padrão relevante. A manifestação clara de interesse no balcão, aliada à disponibilidade real de assentos na cabine superior, pode resultar em ofertas pagas com valores relativamente razoáveis, mesmo para passageiros sem status elite e sem bilhetes emitidos com milhas.
Considerações finais
O Emirates Skywards pode não ser o programa mais agressivo em termos de custo absoluto de emissões, mas seu modelo de upgrade é estruturalmente robusto. A elegibilidade ampla, a possibilidade de confirmação antecipada, a existência de lista de espera e, sobretudo, a disponibilidade até o último assento no dia do embarque criam um ecossistema previsível.
Para quem deseja voar em cabines premium da Emirates, compreender profundamente essas regras permite estruturar estratégias mais eficientes — seja combinando emissão em cabine inferior com upgrade, seja monitorando oportunidades pagas no aeroporto.

