
A United colocou no ar mais uma campanha agressiva de venda de milhas dentro do MileagePlus, com descontos que chegam a 50% para compras maiores. A oferta é válida até 4 de maio de 2026 e segue aquela lógica já conhecida: o número chama atenção, mas o valor real só aparece quando você entende como — e onde — vai usar essas milhas.
Como a oferta está estruturada
A campanha trabalha por volume. Existe uma entrada mínima de 5.000 milhas e os lotes são vendidos em blocos de 1.000.
| Faixa de compra | Benefício aplicado |
|---|---|
| 5.000 a 49.000 milhas | 30% de desconto |
| A partir de 50.000 milhas | até 50% de desconto |
Ou seja, o melhor cenário só aparece para quem já entra com volume mais alto. Abaixo disso, o custo já começa a ficar menos competitivo.
Custo por milha: o número que realmente importa
Quando você traz o desconto para a prática, o custo fica assim:
| Cenário | Valor por 1.000 milhas |
|---|---|
| 30% de desconto | US$ 24,50 |
| 50% de desconto | US$ 17,50 |
Em uma simulação com 50.000 milhas, já considerando a taxa operacional de 7,5%, o custo efetivo sobe para cerca de US$ 18,81 por mil milhas.
Mas aqui está o detalhe que muita gente ignora: para brasileiros, esse valor ainda aumenta com IOF (3,5%) e o spread do cartão. Dependendo do banco, o custo final pode subir de forma relevante.
Comparando com a Livelo: qual caminho faz mais sentido?
Transferir pontos da Livelo para o MileagePlus segue proporção 4:1. Isso significa que 4.000 pontos Livelo viram 1.000 milhas United.
Considerando uma promoção agressiva recente no Brasil:
| Estratégia | Custo para gerar 1.000 milhas |
|---|---|
| Livelo (promoção forte) | R$ 120,40 |
| Compra direta MileagePlus | ~R$ 97,77 |
Nesse recorte, comprar direto sai mais barato. Mas isso não é uma regra fixa — basta surgir uma nova campanha no Brasil para inverter completamente essa lógica.
Como comprar sem erro
O processo é simples: acessar o site do MileagePlus, fazer login, escolher o volume e concluir o pagamento.
O ponto crítico é outro: não existe reembolso. O valor é debitado imediatamente e as milhas não podem ser devolvidas. Ou seja, não é uma compra para “ver depois”.
Regras principais da campanha
| Item | Condição |
|---|---|
| Validade | Até 04/05/2026 |
| Compra mínima | 5.000 milhas |
| Limite promocional | 50.000 milhas |
| Limite anual | 200.000 milhas |
| Limite por 90 dias | 50.000 milhas |
| Crédito | Até 72 horas |
| Reembolso | Não permitido |
| Status elite | Não qualifica |
Emissões interessantes em classe executiva
É aqui que a conta pode começar a fazer sentido — desde que você encontre disponibilidade.
| Origem | Destino | Companhia | Cabine | Milhas |
|---|---|---|---|---|
| São Paulo (GRU) | Buenos Aires (EZE) | Ethiopian Airlines | Executiva | 45.000 |
| Singapura (SIN) | Manila (MNL) | Singapore Airlines | Executiva | 45.000 |
| São Paulo (GRU) | Houston (IAH) | United Airlines | Executiva | 80.000 |
| Toronto (YYZ) | Zurique (ZRH) | SWISS | Executiva | 88.000 |
| São Paulo (GRU) | Frankfurt (FRA) | Lufthansa | Executiva | 110.000 |
Emissões interessantes em primeira classe
Aqui o potencial de valor é ainda maior — mas a disponibilidade costuma ser limitada.
| Origem | Destino | Companhia | Cabine | Milhas |
|---|---|---|---|---|
| Bangkok (BKK) | Tóquio (NRT) | Air China + Shenzhen Airlines | Primeira | 71.500 |
| Bangkok (BKK) | Tóquio (NRT) | Thai Airways | Primeira | 71.500 |
| Nova Délhi (DEL) | Londres (LHR) | Air India | Primeira | 71.500 |
| Tóquio (NRT) | Honolulu (HNL) | ANA | Primeira | 93.500 |
Alerta estratégico: MileagePlus pode ser caro demais para o brasileiro
Aqui entra o ponto que quase ninguém fala com clareza: o MileagePlus, mesmo em promoção, costuma ser um programa caro para o público brasileiro.
E isso não é opinião — é estrutura.
Na prática, muitas emissões que parecem “ok” dentro do MileagePlus ficam mais baratas — às vezes significativamente — quando feitas por programas nacionais ou alternativos.
Voos com companhias como Copa Airlines, United Airlines e Turkish Airlines frequentemente saem mais em conta, inclusive em classe executiva, utilizando Azul Pelo Mundo ou Smiles.
O mesmo acontece com emissões envolvendo Avianca e South African Airways, onde o Smiles costuma apresentar custos mais competitivos em diversos cenários.
Quando o assunto é Star Alliance, o cenário também exige atenção. Dependendo da rota, programas como TAP Miles&Go e Aeroplan conseguem entregar uma relação custo-benefício melhor, seja por tabela, disponibilidade ou flexibilidade.
O que isso mostra, na prática, é que o MileagePlus não é — e nunca foi — o programa mais eficiente para quem opera a partir do Brasil de forma estratégica.
Conclusão
A promoção da United é interessante, sim. Mas está longe de ser uma decisão automática.
Ela faz sentido em cenários específicos: quando existe emissão planejada, disponibilidade confirmada e uma comparação real com outros programas. Fora disso, vira uma compra cara disfarçada de oportunidade.
O mercado de milhas evoluiu. Hoje, não basta olhar desconto — é preciso olhar contexto. E nesse contexto, o MileagePlus continua sendo um programa relevante, mas não necessariamente o mais eficiente para o brasileiro.
Quem extrai valor hoje não é quem compra milha mais barata. É quem sabe exatamente onde emitir — e, principalmente, em qual programa.

