
O governo de Portugal voltou a avançar com o processo de privatização da TAP Air Portugal. O plano prevê a venda de 44,9% da companhia em um primeiro momento. Existe também a possibilidade de reduzir ainda mais a participação estatal ao longo do tempo.
Além disso, 5% das ações devem ser destinadas aos funcionários. Com isso, o governo manteria inicialmente 50,1% de controle.
A privatização da TAP Air Portugal não é uma ideia nova. O tema já aparece há anos. No entanto, agora o processo ganha tração real após novos movimentos no mercado.
Processo ganhou força após instabilidade política
A tentativa mais recente de privatização enfrentou obstáculos no início de 2025. O governo minoritário de centro-direita perdeu sustentação e o processo foi interrompido.
Após novas eleições em maio de 2025, a coalizão voltou ao poder. Mesmo sem maioria no parlamento, o governo decidiu retomar o plano.
Esse cenário político ainda gera incerteza. A aprovação final pode enfrentar resistência interna.
Histórico financeiro ainda pesa na decisão
A TAP Air Portugal não é uma companhia altamente lucrativa. Esse fator sempre foi um ponto de atenção para investidores.
Em 2021, a empresa registrou um prejuízo recorde de 1,6 bilhão de euros. O resultado foi impactado diretamente pela pandemia.
Para evitar o colapso, o governo português injetou 3,2 bilhões de euros na companhia. Isso levou a uma reestruturação profunda.
Nos anos seguintes, a empresa voltou ao lucro. Ainda assim, os números são modestos. Entre 2022 e 2024, os lucros foram de 65,6 milhões, 177,3 milhões e 53,7 milhões de euros.
Esse histórico explica por que o governo busca um parceiro estratégico, e não apenas financeiro.
Interesse de grandes grupos europeus
A privatização da TAP Air Portugal atraiu interesse dos principais grupos de aviação da Europa. Entre eles, Air France-KLM, IAG e Lufthansa Group já analisaram o ativo em diferentes momentos.
Agora, duas propostas concretas foram apresentadas. Air France-KLM e Lufthansa Group enviaram ofertas não vinculantes dentro do prazo.
O grupo IAG decidiu não avançar. A empresa afirmou que vai priorizar crescimento interno com suas atuais companhias.
Valor estratégico da TAP no mercado global
Mesmo com margens limitadas, a TAP Air Portugal possui ativos valiosos. O principal deles é a forte presença no Brasil.
A companhia também tem uma rede relevante para a África e boa conectividade com os Estados Unidos.
Esse posicionamento gera sinergias importantes. Para grupos europeus, adquirir participação na TAP significa fortalecer rotas onde já existe demanda consolidada.
Além disso, há um fator competitivo. Entrar na TAP também impede que concorrentes assumam esse espaço estratégico.
Desafios de integração e regulação
Apesar do interesse, a operação não é simples. Um dos principais desafios envolve a integração com rotas para a América do Norte.
Hoje, o mercado entre Europa e Estados Unidos é dominado por joint ventures entre grandes alianças. Esses acordos concentram poder de precificação.
A TAP historicamente atua de forma independente nesse mercado. A companhia costuma oferecer tarifas mais competitivas, inclusive em voos só de ida.
Caso entre em um grande grupo, esse modelo pode mudar completamente. Isso afetaria sua posição no mercado.
Outro ponto crítico é a aprovação regulatória. Negócios desse porte exigem análise de múltiplas autoridades. Concessões podem ser exigidas, o que impacta o valor final da operação.
Próximos passos da privatização
A Parpública, entidade responsável pelo processo, agora tem 30 dias para avaliar as propostas recebidas. Um relatório será entregue ao governo com análise técnica de cada oferta.
Após essa etapa, os candidatos selecionados serão convidados a apresentar propostas vinculantes. Esse prazo deve ser de até 90 dias.
A partir daí, o processo entra na fase decisiva.
Conclusão
A privatização da TAP Air Portugal entra em um momento mais concreto, após anos de incerteza e tentativas frustradas. O interesse de Air France-KLM e Lufthansa confirma o valor estratégico da companhia, especialmente pela sua posição no Brasil e em mercados de longo curso.
No entanto, o negócio está longe de ser simples. Questões políticas internas, exigências regulatórias e desafios de integração operacional ainda podem alterar o desfecho.
Mais do que uma venda de participação, o que está em jogo é o reposicionamento da TAP dentro da aviação global. O grupo vencedor não apenas ganhará uma companhia aérea, mas também acesso a um dos corredores mais relevantes entre Europa e América do Sul.

