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Milhas AAdvantage estão perdendo valor aos poucos?

As milhas AAdvantage continuam entre as mais interessantes do mercado, mas encontrar os melhores resgates ficou mais difícil. A principal razão está na redução da disponibilidade oferecida por companhias parceiras, especialmente em primeira classe e classe executiva. Confiram tudo na matéria especial.

O que você verá neste artigo

Durante muitos anos, as milhas do AAdvantage, programa de fidelidade da American Airlines, foram consideradas uma das moedas mais valiosas entre as três grandes companhias aéreas dos Estados Unidos.

E existe uma razão para isso. O programa sempre teve como um de seus principais atrativos as boas condições para resgatar passagens em companhias parceiras, principalmente em cabines premium. Em determinadas rotas, era possível utilizar uma quantidade relativamente baixa de milhas para viajar em primeira classe ou classe executiva de empresas reconhecidas mundialmente.

O problema é que encontrar esses resgates ficou muito mais difícil.

A American Airlines não necessariamente piorou as regras do AAdvantage. Na realidade, boa parte da perda de valor percebida pelos clientes está relacionada a uma mudança mais ampla no mercado: as companhias aéreas parceiras estão liberando cada vez menos assentos para emissão com programas de terceiros.

Isso faz com que uma situação curiosa esteja acontecendo. As milhas AAdvantage continuam oferecendo excelentes valores no papel, mas ficou muito mais difícil encontrar disponibilidade para aproveitar essas oportunidades.


O principal problema das milhas AAdvantage está nas companhias parceiras

O AAdvantage ainda tem uma característica que merece ser reconhecida: a American Airlines mantém uma tabela de referência para resgates em companhias aéreas parceiras.

Isso permite encontrar valores bastante competitivos, especialmente em voos de longa distância e nas cabines executivas e de primeira classe.

O problema é que o preço deixou de ser o único fator importante.

De nada adianta existir um resgate excelente se praticamente não há assentos disponíveis para emissão.

É justamente isso que vem acontecendo com algumas das principais parceiras da American Airlines.

A Qatar Airways, por exemplo, durante muito tempo disponibilizou uma quantidade significativa de assentos em classe executiva para programas parceiros. Hoje, essa disponibilidade é muito mais restrita e, em muitos casos, fica concentrada no próprio programa de fidelidade da companhia, o Privilege Club.

A Etihad Airways também reduziu consideravelmente a oferta de assentos em primeira classe e classe executiva para programas parceiros. Atualmente, encontrar espaço pode exigir flexibilidade extrema, muitas vezes com disponibilidade aparecendo apenas próximo da data do voo.

Com a Cathay Pacific, a situação também ficou bastante complicada. Encontrar assentos de primeira classe ou classe executiva em voos de longa distância utilizando milhas de programas parceiros tornou-se uma tarefa muito mais difícil do que era no passado.

A Japan Airlines segue a mesma tendência. Embora ainda seja possível encontrar ótimos resgates com o AAdvantage, localizar disponibilidade em primeira classe ou classe executiva nos voos de longa distância entre Estados Unidos e Ásia pode ser bastante trabalhoso.


O paradoxo das milhas AAdvantage

É justamente aqui que está o grande paradoxo do programa.

Quando existe disponibilidade, o valor das milhas AAdvantage pode ser extraordinário.

Imagine, por exemplo, encontrar um assento na primeira classe do Airbus A380 da Etihad Airways entre Abu Dhabi e Tóquio por apenas 50 mil milhas.

É um resgate excepcional.

O mesmo vale para um voo entre Bangkok e Tóquio na primeira classe do Boeing 777 da Japan Airlines por 40 mil milhas.

Em termos de quantidade de milhas exigida, são oportunidades difíceis de ignorar.

O problema é outro: esses exemplos são excelentes, mas nem sempre são úteis para quem precisa viajar entre dois destinos específicos.

Existe uma diferença enorme entre encontrar um resgate barato e conseguir utilizar esse resgate para chegar aonde você realmente precisa.

É por isso que alguns dos antigos “sweet spots” do AAdvantage passaram a parecer mais oportunidades de loteria do que benefícios disponíveis de maneira consistente.


E as outras companhias parceiras?

A situação não é ruim em toda a rede de parceiros.

Ainda existe disponibilidade em companhias como British Airways, Aer Lingus, Finnair, Iberia, Royal Air Maroc e Royal Jordanian, entre outras.

Mas cada uma apresenta suas próprias limitações.

No caso da British Airways, por exemplo, o problema pode estar nos elevados adicionais cobrados pela companhia, que podem reduzir bastante a vantagem de utilizar milhas.

Em outras empresas, o obstáculo é simplesmente encontrar assentos disponíveis nos voos que interessam ao passageiro, especialmente nas rotas de longa distância.

O resultado é que muitos dos resgates que ajudaram a construir a reputação do AAdvantage ficaram consideravelmente mais difíceis de aproveitar.

E é importante deixar claro: isso não significa necessariamente que a American Airlines tenha desvalorizado diretamente suas milhas.

A disponibilidade de assentos em companhias parceiras depende, em grande parte, das próprias empresas aéreas. O AAdvantage pode disponibilizar excelentes valores de resgate, mas não consegue obrigar uma parceira a liberar mais assentos para emissão.


Quanto valem hoje as milhas AAdvantage?

Historicamente, as milhas AAdvantage são frequentemente avaliadas em torno de 1,5 centavo de dólar por milha. No Brasil, varia entre R$ 80,00 e R$ 100,00 o custo por cada 1.000 milhas.

Mas a redução da disponibilidade em companhias parceiras levanta uma questão importante: será que esse valor ainda representa adequadamente a realidade para o passageiro?

Uma moeda de fidelidade pode ter um excelente valor teórico, mas sua utilidade prática diminui quando as melhores oportunidades ficam cada vez mais raras.

Por isso, existe espaço para discutir uma eventual redução dessa avaliação.

Não significa que as milhas AAdvantage tenham deixado de ser boas. Pelo contrário: o programa continua sendo muito interessante. A questão é que o cenário atual exige mais flexibilidade, planejamento e paciência para encontrar os melhores resgates.


Onde as milhas AAdvantage continuam sendo muito boas?

Apesar das dificuldades com as companhias parceiras, existe um segmento em que o AAdvantage continua bastante competitivo: os voos operados pela própria American Airlines.

Os resgates em voos domésticos dentro dos Estados Unidos são particularmente interessantes, mas a vantagem também pode aparecer em algumas rotas internacionais de curta e longa distância.

Quando comparada com Delta e United, a American frequentemente apresenta preços mais atrativos para emissões em classe econômica doméstica e também em sua cabine premium doméstica.

Outro ponto importante é a precificação dinâmica.

Mesmo quando não existe uma tarifa promocional específica para resgate, os preços cobrados pelo AAdvantage em determinados voos internacionais podem ser mais interessantes do que os praticados por Delta SkyMiles e United MileagePlus.

Ou seja, embora o programa tenha perdido parte de seu brilho nas emissões com parceiros, ele continua sendo uma ferramenta bastante útil para quem pretende voar com a própria American Airlines.


Existe uma alternativa ainda melhor em alguns voos da American

Há, porém, uma situação que merece atenção.

Quando a American Airlines disponibiliza determinados assentos para programas parceiros, pode ser possível conseguir um valor ainda melhor utilizando milhas Smiles, da Gol Linhas Aéreas.

Isso cria uma situação curiosa: mesmo quando existe disponibilidade para parceiros, as milhas AAdvantage nem sempre representam a melhor opção.

Além disso, a American passou a restringir a disponibilidade de determinados assentos econômicos promocionais para parceiros nos dias que antecedem a partida. Isso diminui a vantagem de quem procura emitir uma passagem de última hora.

Portanto, não basta simplesmente procurar disponibilidade na American Airlines. É preciso comparar qual programa oferece o melhor custo em milhas para aquele voo.


A rede da American Airlines também pesa contra o AAdvantage

Existe ainda outro fator que precisa ser considerado: a própria malha internacional da American Airlines.

A companhia possui uma rede relevante, mas seu alcance de longa distância é menor em determinados mercados quando comparado à United Airlines.

Isso faz diferença para quem utiliza milhas pensando em destinos mais distantes.

Se o objetivo é viajar para cidades como Seul, Xangai ou Tóquio, o AAdvantage pode continuar oferecendo boas alternativas.

Por outro lado, quando o passageiro quer chegar a destinos como Cidade do Cabo, Nice, Taiti ou Singapura, a amplitude da rede da United pode fazer uma diferença considerável.

Esse é um dos pontos em que o MileagePlus consegue levar vantagem sobre o AAdvantage: não necessariamente porque suas milhas sejam sempre melhores, mas porque a companhia possui uma rede internacional muito abrangente.


O melhor uso das milhas AAdvantage pode estar mudando

A grande mudança, portanto, não é necessariamente uma desvalorização oficial do AAdvantage.

O que está acontecendo é uma transformação na maneira como o programa pode ser utilizado.

Durante anos, o grande atrativo das milhas AAdvantage estava nos resgates em companhias parceiras, principalmente em primeira classe e classe executiva.

Hoje, encontrar essas oportunidades ficou muito mais difícil.

Isso faz com que os melhores usos das milhas estejam migrando para duas situações principais.

A primeira é utilizar o AAdvantage para voos operados pela própria American Airlines, principalmente quando o preço em milhas é competitivo.

A segunda é procurar resgates em companhias parceiras que não envolvam os Estados Unidos, onde a disponibilidade pode ser mais interessante em determinadas situações.

Essa mudança exige uma estratégia diferente do que era necessário alguns anos atrás.


Conclusão

As milhas AAdvantage continuam sendo uma das moedas mais interessantes entre os grandes programas de fidelidade. O problema é que os melhores resgates ficaram mais difíceis de encontrar.

A American Airlines ainda oferece bons valores para voos próprios e mantém tabelas bastante competitivas para determinadas companhias parceiras. Porém, a redução da disponibilidade liberada por empresas como Qatar Airways, Etihad Airways, Cathay Pacific e Japan Airlines diminuiu a facilidade de aproveitar alguns dos grandes diferenciais históricos do programa.

Por isso, eu não diria que as milhas AAdvantage foram simplesmente “desvalorizadas”. O cenário é mais complexo.

O valor continua existindo, mas está mais escondido.

Hoje, encontrar uma emissão realmente excepcional exige muito mais pesquisa e flexibilidade. Para quem sabe procurar, porém, ainda existem oportunidades excelentes — especialmente em voos da própria American Airlines e em determinados resgates internacionais com companhias parceiras.

A grande questão para os próximos anos será saber se a disponibilidade de parceiros continuará diminuindo. Se essa tendência persistir, será cada vez mais difícil justificar a mesma avaliação que as milhas AAdvantage receberam durante tantos anos.


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Tico Brazileiro

Tico Brazileiro é especialista em aviação, programas de fidelidade e viagens, compartilhando dicas estratégicas sobre milhas, upgrades e experiências de voo. Influenciador, conecto apaixonados por viagens a conteúdo exclusivo e relevante, ajudando a transformar cada viagem em uma experiência única. Já viajei em mais de 100 classes executivas e primeiras classes.
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