
Em vários momentos da vida do milheiro, você vai ouvir o termo Status Run ou Mileage Run. No Brasil, ele é mais conhecido como Status Run — e sim, estamos falando exatamente da mesma prática.
Apesar do nome sugerir corrida, Mileage Run não tem nada de correr. Pelo contrário: envolve muitas horas sentado dentro de um avião. De forma simples, um Mileage Run é quando você voa exclusivamente para acumular milhas ou status elite em um programa de fidelidade, e não necessariamente para chegar a um destino específico. Quem não compreende essa lógica tende a enxergar quem a pratica como alguém sem critério ou racionalidade.
Isso pode acontecer tanto como um “hobby” ao longo do ano quanto como uma viagem estratégica no fim do período de qualificação para garantir ou subir de status.
Em muitos casos, quem faz Mileage Run nem chega a sair do aeroporto.
Minha experiência pessoal com Status Run no Brasil
Eu mesmo já fiz Status Run entre 2011 e 2012, voando pela GOL Linhas Aéreas, com o objetivo de alcançar o status Diamante no Smiles. Na época, acabei chegando “apenas” ao status Ouro, o que já era bastante relevante naquele período.
É importante lembrar o contexto: naquele tempo, só passagens pagantes contavam para status. Não existia a flexibilidade que vemos hoje, em que trechos emitidos com milhas também contam, desde que o cliente cumpra os requisitos mínimos.
Atualmente, por exemplo, no Smiles, é possível alcançar status cumprindo 24 trechos voados, inclusive com passagens emitidas por milhas Smiles. Outras empresas aéreas nacionais, como a Azul, também adota essa lógica, onde para o cliente alcaçar o status Diamante Unique, irá precisar fazer 26 trechos + 26.000 pontos qualificáveis.
O que é considerado um “trecho” em alguns programas?
Aqui existe uma pegadinha importante que muita gente ignora.
No Smiles e Azul Fidelidade, trecho é entendido como origem e destino final, e não cada perna do voo separadamente.
Exemplo prático:
Goiânia – São Paulo – Recife
Mesmo havendo uma conexão em São Paulo, isso conta como apenas UM trecho, e não dois ou três. Para o sistema, é como se fosse um voo direto de Goiânia para Recife.
Esse detalhe muda completamente o planejamento de quem pensa em fazer um Status Run no Brasil.
Tipos de Mileage Run (Status Run)
1. Mileage Run para ganhar status elite
Esse é o formato mais comum. Programas de fidelidade oferecem benefícios relevantes para clientes elite, como:
- Upgrade de cabine
- Milhas bônus
- Acesso a salas VIP
- Prioridade em check-in e embarque
Muitas pessoas chegam perto do próximo nível de status no fim do ano e decidem fazer uma ou duas viagens extras para garantir o upgrade.
Há também quem leve isso ao extremo e faça Status Run “do zero”, começando o ano já com esse objetivo.
2. Mileage Run para ganhar milhas resgatáveis
Outro tipo clássico é o Mileage Run focado em acumular milhas para resgate, especialmente para passagens em classe executiva ou primeira classe, onde o valor percebido costuma ser maior.
No passado, muitas vezes o custo da passagem era menor do que o valor das milhas acumuladas. Hoje, isso raramente acontece, principalmente porque:
- Programas desvalorizaram milhas
- Companhias passaram a vender milhas com frequência e desconto
3. Mileage Run híbrido (Status + viagem)
Esse é o modelo que ainda faz mais sentido atualmente.
Funciona assim: você encontra uma tarifa interessante para um destino que já queria visitar e, ao mesmo tempo, aquela viagem ajuda a alcançar ou manter um status elite.
Em vez de apenas ir e voltar no mesmo dia, você transforma isso em uma viagem curta, aproveitando o destino.
Por que os Mileage Runs mudaram tanto ao longo dos anos?
A lógica dos programas de fidelidade mudou radicalmente na última década:
- Antes, as milhas eram calculadas pela distância voada
- Hoje, a maioria dos programas calcula com base no valor gasto
- Status elite passou a exigir requisitos de receita
- Benefícios foram diluídos
- Milhas foram desvalorizadas
O resultado? Mileage Runs deixaram de ser financeiramente vantajosos na maioria dos casos.
Mileage Run ainda vale a pena hoje?
Hoje, eu diria que só vale a pena em situações muito específicas:
- Quando você está muito perto de um status e precisa de um ou dois voos
- Quando o programa permite contar voos emitidos com milhas para status
- Quando o custo marginal da viagem é baixo e o benefício real do status é alto
Para acumular milhas, muitas vezes é mais eficiente comprar milhas diretamente ou concentrar gastos em cartões de crédito estratégicos.
Conclusão
Mileage Run ou Status Run — é voar exclusivamente para ganhar milhas ou status elite. No passado, essa prática fazia muito sentido e gerava retornos excelentes.
Hoje, com programas mais rígidos, benefícios reduzidos e foco em receita, a matemática raramente fecha. Ainda existem exceções, mas elas estão cada vez mais na margem.
Atualmente, o “Mileage Run moderno” é muito mais feito no cartão de crédito do que dentro do avião.

