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Lufthansa avalia criar “business class real” em A320 e pode mudar padrão de voos na Europa

Lufthansa avalia colocar poltronas reclináveis em A320 e criar uma business class real em voos de médio curso. Entenda tudo nessa matéria e a minha experiência pessoal na atual cabine.

O que você verá neste artigo

A Lufthansa pode estar prestes a romper com um dos maiores padrões da aviação europeia: a chamada “business class simbólica” em voos de curta e média distância.

Executivos do grupo indicaram que a companhia estuda instalar poltronas reclináveis de verdade em parte da frota Airbus A320, substituindo o modelo tradicional que usa assentos de classe econômica com o assento do meio bloqueado.

Ainda não há anúncio formal, mas as declarações do CEO do Lufthansa Group, Carsten Spohr, mostram que o projeto está em análise avançada e pode sair do papel.

Se confirmado, será uma das maiores mudanças de produto em voos intra-Europa dos últimos anos.


O que muda na prática?

Hoje, a business class europeia da Lufthansa segue o padrão do continente:

  • Mesma poltrona da econômica
  • Assento do meio bloqueado
  • Serviço de bordo diferenciado
  • Mais espaço pessoal e prioridade em solo

Funciona bem para voos curtos, mas não entrega uma experiência premium comparável à executiva de longo curso.

A proposta agora é diferente. A Lufthansa estuda instalar assentos reclináveis dedicados de business class em alguns A320. Seriam poltronas maiores, com reclinação real e conforto superior.

Segundo Spohr, a ideia inicial é começar com duas fileiras, totalizando oito assentos premium reais.


Testes da Eurowings abriram caminho

Essa iniciativa não surgiu do nada. A subsidiária Eurowings já implementou um conceito semelhante em A320neo que operam rotas entre Alemanha e Dubai. Nessas aeronaves, a cabine é dividida em três partes:

  • Duas fileiras com recliners de business class (configuração 2-2);
  • Business class europeia tradicional com assento bloqueado
  • Classe econômica

    Na prática, é uma business class em dois níveis.

    Quando lançou o produto, a Eurowings afirmou que o objetivo era gerar aprendizados para futuras configurações de frota dentro do grupo Lufthansa.

    Agora, tudo indica que esses testes estão influenciando decisões maiores.


    Onde esse produto faria sentido?

    Não se espera que isso vire padrão em toda a frota.

    O alvo são rotas de médio curso com maior perfil premium e concorrência forte, como:

    • Amã
    • Cairo
    • Istambul
    • Tel Aviv

    Nesses mercados, o passageiro permanece mais tempo a bordo e valoriza conforto adicional.

    Em voos puramente intra-Europa, a tendência é manter o modelo flexível atual, que permite variar o tamanho da cabine conforme a demanda.


    O desafio de vender duas business class no mesmo avião

    Um dos pontos mais delicados da estratégia é a possível coexistência de dois produtos business na mesma aeronave.

    Isso levanta uma questão comercial importante:
    os assentos reclináveis seriam vendidos como upgrade pago dentro da própria business class?

    Se sim, o modelo pode gerar resistência.

    Um viajante corporativo com bilhete pago pela empresa pode não querer desembolsar valor extra para um assento melhor dentro da mesma cabine.

    Esse equilíbrio entre receita adicional e percepção de valor será crucial.


    A experiência Lufthansa já é forte, mesmo no modelo atual

    Vale contextualizar algo importante. Mesmo sem poltronas dedicadas, a business class europeia da Lufthansa entrega uma experiência sólida. Eu mesmo já voei diversas vezes em executiva da companhia em trechos intra-Europa e o produto funciona muito bem.

    Apesar do assento ser o mesmo da econômica, o bloqueio do lugar ao lado garante espaço pessoal. Somam-se a isso:

    • Hospitalidade consistente
    • Catering acima da média europeia
    • Serviço organizado e confiável
    • Boa experiência em solo

    O Grupo Lufthansa, aliás, é amplamente reconhecido pela qualidade de serviço e alimentação a bordo — um dos seus pontos mais fortes historicamente.

    Ou seja, a base já é boa. O que a empresa estuda agora é elevar o patamar.


    Relação com o projeto Allegris

    As declarações de Spohr também vieram junto de comentários sobre a certificação dos novos assentos Allegris do Boeing 787.

    Isso mostra que o grupo está olhando de forma ampla para padronização e melhoria de produto premium.

    A eventual introdução de recliners em narrowbodies faria parte de uma estratégia maior de diferenciação.


    Conclusão

    A Lufthansa sinaliza uma mudança que pode redefinir o conceito de business class em voos europeus.

    Assentos reclináveis em A320 não seriam apenas um upgrade de conforto, mas também uma resposta competitiva em rotas de médio curso mais exigentes.

    O maior desafio estará no modelo de venda e posicionamento do produto.

    Se encontrar o equilíbrio certo, a companhia pode criar um novo padrão no mercado — e pressionar concorrentes a reagirem.

    Por enquanto, o projeto segue em desenvolvimento. Mas o simples fato de estar em estudo já mostra para onde o mercado premium está caminhando.

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    Tico Brazileiro

    Tico Brazileiro é especialista em aviação, programas de fidelidade e viagens, compartilhando dicas estratégicas sobre milhas, upgrades e experiências de voo. Influenciador, conecto apaixonados por viagens a conteúdo exclusivo e relevante, ajudando a transformar cada viagem em uma experiência única. Já viajei em mais de 100 classes executivas e primeiras classes.
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