
O Carnaval segue sendo um dos períodos de maior pressão sobre a aviação doméstica brasileira. E, como já virou padrão em datas de pico, as companhias ajustam capacidade onde existe demanda real. Para 2026, a GOL decidiu antecipar esse movimento e colocou em prática uma ampliação robusta de oferta.
Entre 11 e 18 de fevereiro, a empresa programou 106 voos adicionais em 29 rotas dentro do Brasil. Na prática, isso representa mais de 19 mil assentos extras disponíveis ao passageiro e um aumento de 20% sobre o mesmo feriado de 2025.
Não se trata apenas de volume. A estratégia revela leitura clara de mercado: concentrar capacidade onde há maior probabilidade de ocupação e melhor rendimento.
Nordeste no centro da estratégia
O reforço mira principalmente o fluxo entre Sudeste e Nordeste — eixo que tradicionalmente lidera a procura no Carnaval. Destinos com histórico de alta ocupação nessa época recebem atenção especial, como:
- Rio de Janeiro
- Salvador
- Recife
- Maceió
- Fortaleza
- Natal
São cidades que combinam turismo, eventos e forte demanda VFR (visiting friends and relatives), formando o cenário ideal para absorver voos adicionais sem risco de baixa ocupação.
Janela crítica de operação
A maior concentração de frequências extras ocorre de 13 a 18 de fevereiro, exatamente quando o tráfego aéreo atinge seu pico. Nesse intervalo, a oferta média da GOL cresce 22% frente ao Carnaval anterior, considerando toda a malha de alta temporada.
Salvador aparece como principal beneficiada:
- 12 voos adicionais na rota Goiânia–Salvador
- 8 voos extras entre Brasília–Salvador
- Reforços também a partir de Confins, Fortaleza e Rio de Janeiro
Outros incrementos relevantes incluem:
- Porto Alegre–Rio de Janeiro
- Belo Horizonte–Porto Seguro
- Foz do Iguaçu–Rio de Janeiro
Esse desenho mostra que a empresa prioriza mercados já consolidados em vez de apostar em rotas experimentais.
Rotas com voos adicionais no Carnaval
| Origem | Destino |
|---|---|
| Brasília | Belém |
| Belo Horizonte | Porto Seguro |
| Rio de Janeiro | Aracaju |
| Rio de Janeiro | Campo Grande |
| Rio de Janeiro | Belo Horizonte |
| Rio de Janeiro | Curitiba |
| Rio de Janeiro | Fortaleza |
| Goiânia | Rio de Janeiro |
| Foz do Iguaçu | Rio de Janeiro |
| Brasília | Maceió |
| Rio de Janeiro | Maceió |
| São Paulo/Guarulhos | Maceió |
| Natal | Rio de Janeiro |
| Natal | São Paulo/Guarulhos |
| Navegantes | Rio de Janeiro |
| Porto Alegre | Rio de Janeiro |
| Recife | Brasília |
| Recife | São Paulo/Congonhas |
| Recife | São Paulo/Guarulhos |
| Salvador | Brasília |
| Salvador | Cuiabá |
| Salvador | São Paulo/Congonhas |
| Salvador | Belo Horizonte |
| Salvador | Fortaleza |
| Salvador | Rio de Janeiro |
| Salvador | São Paulo/Guarulhos |
| Salvador | Goiânia |
| Salvador | João Pessoa |
| Vitória | Salvador |
A maior alta temporada da história da GOL
O Carnaval é apenas uma peça dentro de um plano maior. A companhia opera, entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, a maior alta temporada de verão de sua trajetória.
Os números dão dimensão do movimento:
- 65 mil voos no total
- 12 milhões de assentos ofertados
- Crescimento de 15% frente ao verão anterior
No doméstico, a programação prevê:
- 60 mil voos
- 11 milhões de assentos
- Expansão de 13% ano contra ano
O Nordeste, novamente, assume papel central com mais de 21 mil voos e 4 milhões de assentos — alta de 20%. Já o Sudeste responde por 53 mil voos e 10 milhões de assentos, avanço de 13%.
Outro ponto relevante é o fortalecimento dos grandes hubs nacionais, especialmente:
- São Paulo (Guarulhos e Congonhas)
- Rio de Janeiro (Galeão e Santos Dumont)
Esse foco mostra que a GOL prioriza conectividade e densidade de mercado, dois fatores que sustentam rentabilidade em períodos de alta demanda.
Conclusão
O aumento de voos no Carnaval não é generosidade — é gestão de capacidade orientada por demanda e receita. A GOL está colocando assentos onde sabe que haverá passageiros dispostos a pagar.
Para o viajante, isso significa duas coisas: mais opções de horários e, potencialmente, alguma diluição de preços em rotas muito pressionadas. Para quem usa milhas, abre-se janela de oportunidade em emissões que normalmente ficariam escassas.
No fim, o Carnaval continua sendo um teste de eficiência para as companhias e de planejamento para o passageiro. Quem se organiza antes voa melhor, paga menos e evita depender de disponibilidade de última hora. Em aviação, estratégia sempre vence impulso.

