
A possibilidade de ver novamente a Cabo Verde Airlines operando no Brasil está cada vez mais concreta. A companhia africana, anteriormente conhecida como TACV, deu novos passos para retomar suas ligações com o país e já aparece com movimentações formais no sistema da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Registros recentes mostram que a empresa garantiu slots de pouso e decolagem no aeroporto do Recife, com previsão de início das operações em 6 de maio. Embora isso ainda não represente confirmação definitiva de voos, é um indicativo relevante de planejamento operacional.
Frequências previstas entre Recife e Praia
Os dados disponíveis apontam para a intenção de operar duas frequências semanais entre Recife e Praia, capital de Cabo Verde, às quartas e quintas-feiras, utilizando aeronaves Boeing 737.
A programação cadastrada segue até 22 de outubro, período que coincide com o encerramento da temporada de verão na aviação comercial.
Vale lembrar que a aprovação de slots é uma etapa importante, mas não garante automaticamente o início das operações. Ajustes de malha, demanda e estratégia comercial ainda podem influenciar o cenário.
Nova alternativa de ligação entre Nordeste e Europa
Se confirmados, os voos podem representar uma nova opção de conexão entre o Nordeste brasileiro e a Europa. Historicamente, a Cabo Verde Airlines operava rotas que facilitavam o acesso a Lisboa com escala em Praia.
Em anos anteriores, a companhia chegou a apresentar tarifas competitivas nesse tipo de ligação, o que atraía passageiros em busca de alternativas às rotas diretas.
Outro ponto estratégico é a possibilidade de combinar o trecho Recife–Praia com voos de outras empresas que operam na Europa, ampliando o leque de destinos a partir de Portugal.
Retorno ocorre após seis anos fora do mercado
A eventual retomada marca o fim de um hiato que começou em 2020, quando a empresa suspendeu suas operações no Brasil em meio ao impacto global da pandemia.
Desde então, houve diversas sinalizações de retorno, mas sem concretização prática. Agora, o cenário parece diferente, com avanços regulatórios e operacionais.
Em dezembro, autoridades de aviação civil de Cabo Verde participaram de reuniões com a Anac em Brasília. O encontro resultou na assinatura de um acordo de cooperação internacional voltado ao desenvolvimento da aviação civil entre os dois países.
Esse movimento institucional reforçou a base para uma possível volta das operações.
Certificação ETOPS foi fator-chave
Um dos entraves técnicos para a retomada era a certificação ETOPS 120, essencial para voos de longa distância sobre o oceano em aeronaves bimotores.
A certificação define por quanto tempo uma aeronave pode voar com apenas um motor ativo até alcançar um aeroporto alternativo. No padrão ETOPS 120, esse limite é de 120 minutos.
Após um período prolongado sem operar rotas longas, a companhia havia perdido essa habilitação. A recuperação recente da certificação devolve à empresa a capacidade técnica de realizar voos entre Cabo Verde e destinos como Brasil e Estados Unidos.
Antes disso, a aérea realizou um voo de teste entre Praia e Recife com um Boeing 737 MAX, etapa comum em processos de retomada operacional.
Promessas de retorno vêm desde 2023
A intenção de voltar ao Brasil não é nova. Desde 2023, executivos da companhia mencionam o mercado brasileiro como prioridade.
Naquele ano, a expectativa era reiniciar operações até o fim do calendário, o que não aconteceu. Em 2024, novas declarações indicavam retomada “em breve”, novamente sem resultado prático.
Já em 2025, o discurso passou a ser mais técnico e focado na recuperação de certificações, especialmente o ETOPS. O ministro do Turismo e Transportes de Cabo Verde chegou a afirmar que o objetivo era recuperar essa habilitação para voos ao Brasil e aos Estados Unidos — algo que agora foi alcançado.
Conclusão
A movimentação recente da Cabo Verde Airlines mostra um avanço real em direção ao retorno ao Brasil. Slots obtidos, certificações recuperadas e acordos institucionais criam um cenário mais sólido do que em tentativas anteriores.
Ainda é preciso aguardar confirmação oficial de vendas e início de operações, mas os sinais são positivos para quem acompanha o setor aéreo.
Caso a retomada se confirme, o Nordeste pode ganhar uma nova porta de saída internacional, reforçando a conectividade com a África e a Europa.
Para o mercado brasileiro, mais concorrência tende a significar mais opções e, potencialmente, tarifas mais competitivas — algo sempre bem-vindo para o passageiro internacional.

