
A GOL Linhas Aéreas aparece entre as 25 companhias aéreas de baixo custo mais seguras do mundo em 2026, segundo levantamento divulgado pelo site especializado AirlineRatings.com. O estudo analisou 320 empresas aéreas globais e posicionou a GOL como a única representante brasileira — e sul-americana — no Top 25 da categoria.
O ranking leva em consideração critérios técnicos rigorosos, como histórico de incidentes ajustado ao volume de voos, idade média da frota, registros de ocorrências graves, padrões de treinamento de pilotos e tripulações, além de auditorias internacionais independentes de segurança operacional.
Brasil é o único representante da América do Sul no Top 25
Com a presença da GOL, o Brasil figura como o único país da América do Sul no ranking das low cost mais seguras em 2026. A lista reúne empresas consolidadas do setor aéreo global, como Jetstar, EasyJet, Southwest, Ryanair e JetBlue, todas com modelos operacionais amplamente testados em mercados maduros.
A liderança do ranking ficou novamente com a HK Express, de Hong Kong, que ocupa o primeiro lugar pelo segundo ano consecutivo, reforçando a consistência dos padrões de segurança adotados pela companhia asiática.
Como o AirlineRatings avalia a segurança das companhias aéreas
Segundo a CEO do AirlineRatings, Sharon Petersen, as diferenças entre as empresas mais bem posicionadas são cada vez menores, o que exige uma leitura cuidadosa dos números.
De acordo com ela, menos de quatro pontos separam as posições do primeiro ao 14º lugar, e no topo do ranking a diferença entre as seis primeiras colocadas é inferior a dois pontos. Isso indica que todas as companhias listadas no Top 25 apresentam padrões de segurança extremamente elevados.
Outro ponto destacado é que todas as empresas avaliadas registraram algum tipo de incidente recente, mas sempre com taxas muito baixas quando consideradas em relação ao número total de voos realizados. Na prática, os índices variam entre 0,002 e 0,09 incidente por voo, o que reforça a robustez dos sistemas de gestão de risco da indústria aérea global.
Segurança vai além da aeronave
O AirlineRatings destaca que a presença no ranking não reflete apenas a qualidade das aeronaves, mas também fatores como:
- Treinamento contínuo de pilotos e tripulações
- Cultura organizacional focada em segurança
- Capacidade de prevenção e resposta a riscos
- Atuação consistente ao longo de milhões de voos
Na edição de 2026, a metodologia passou a dar peso maior à prevenção de turbulências, hoje a principal causa de ferimentos a bordo. Para isso, foram considerados critérios como participação em programas internacionais, a exemplo do IATA Turbulence Aware, além de auditorias específicas de segurança em cabine.
Top 25 companhias low cost mais seguras do mundo em 2026
- HK Express
- Jetstar Airways
- Scoot
- flydubai (reclassificada como full service)
- EasyJet Group
- Southwest
- airBaltic
- VietJet Air
- Wizz Air Group
- AirAsia Group
- TUI UK
- Vueling
- Norwegian
- JetBlue
- FlyNAS
- Cebu Pacific
- Jet2
- Ryanair (Irlanda e Reino Unido)
- Spring Airlines China
- Transavia Group
- Eurowings Group
- Volaris
- WestJet Group
- GOL Linhas Aéreas
- SKY Airline Chile
O site também divulgou o ranking das companhias full service, liderado pela Etihad, seguida por Cathay Pacific, Qantas, Qatar Airways e Emirates.
Análise: por que é tão difícil existir uma verdadeira low cost no Brasil?
Apesar do destaque da GOL no ranking, é importante fazer uma leitura crítica: o Brasil não oferece um ambiente favorável ao modelo low cost clássico, como vemos na Europa, nos Estados Unidos ou na Ásia.
Existem fatores estruturais e econômicos que dificultam — e muito — a implementação desse modelo no país:
1. Volatilidade cambial
Grande parte dos custos de uma companhia aérea é dolarizada (leasing de aeronaves, manutenção, combustível). No Brasil, a instabilidade do câmbio torna qualquer planejamento de longo prazo extremamente arriscado.
2. Carga tributária elevada
O setor aéreo brasileiro enfrenta impostos altos e complexos, que impactam diretamente o custo do bilhete. Isso reduz a margem para tarifas realmente baixas.
3. Infraestrutura aeroportuária limitada
O modelo low cost depende fortemente de aeroportos secundários, mais baratos de operar e menos congestionados. No Brasil, esses aeroportos são escassos, mal conectados ou simplesmente inexistem em muitas regiões.
4. Código de Defesa do Consumidor
A legislação brasileira impõe obrigações rígidas às companhias aéreas, o que aumenta custos operacionais e jurídicos — algo que não existe com a mesma intensidade em outros mercados.
5. Políticas públicas instáveis
Mudanças frequentes em regras, impostos e incentivos afastam investimentos de longo prazo e tornam o ambiente menos previsível para novos entrantes.
“Low cost” não é a mesma coisa que “low fare”
Aqui está um ponto fundamental que gera muita confusão no Brasil.
🔹 Low cost é um modelo operacional.
🔹 Low fare é apenas uma tarifa baixa.
Uma companhia aérea low cost de verdade reduz custos de forma estrutural, operando com:
- Frota altamente padronizada;
- Aeroportos secundários – que não temos no Brasil;
- Voos curtos ou médios;
- Serviços cobrados à parte (bagagem, assento, refeição, check-in presencial);
- Alta utilização diária das aeronaves;
No Brasil, nenhuma companhia aérea nacional se enquadra integralmente nesse modelo.
Por que a GOL não é uma low cost clássica?
Apesar da origem inspirada no conceito de baixo custo, a GOL opera hoje mais como uma companhia full service, muito distante do modelo low cost puro.
Entre os motivos:
- Atua majoritariamente em aeroportos principais;
- Enfrenta custos estruturais elevados;
- Está sujeita às mesmas regras e impostos das companhias tradicionais;
- Precisa oferecer um nível mínimo de serviço exigido pelo mercado e pela legislação;
Portanto, o que temos no Brasil são empresas low fare em determinados momentos, mas não low cost estruturais.
E, olhando para o cenário econômico, regulatório e operacional do país, é difícil imaginar que esse modelo seja plenamente viável no médio e longo prazo.
Conclusão
A presença da GOL entre as companhias low cost mais seguras do mundo em 2026 é, sem dúvida, um reconhecimento relevante da qualidade operacional e dos padrões de segurança adotados pela empresa.
No entanto, isso não muda uma realidade estrutural: o Brasil não é um ambiente favorável ao modelo low cost clássico. Aqui, o desafio não está apenas na operação da companhia, mas em todo o ecossistema que envolve câmbio, impostos, infraestrutura e regulação.
Segurança aérea, felizmente, é um ponto onde a indústria brasileira se destaca. Já o baixo custo, no sentido mais puro do termo, ainda parece distante da nossa realidade.

