
Quem utiliza pontos do Qantas Frequent Flyer para emitir passagens da Emirates enfrentará mudanças importantes a partir de 2026. A companhia aérea australiana confirmou uma reformulação nas regras de resgate que envolve mais pontos exigidos, novas limitações para a primeira classe e critérios mais rígidos ligados a status elite.
Na prática, a atualização reduz a atratividade do uso de pontos, principalmente em voos de longa distância e nas cabines premium.
Primeira classe passa a ter novas limitações
Uma das mudanças mais relevantes afeta diretamente a primeira classe da Emirates, produto conhecido pelo alto padrão de serviço.
A partir de 21 de janeiro, crianças com menos de 9 anos deixam de ser elegíveis para emissões em primeira classe usando pontos Qantas, independentemente do nível do passageiro no programa.
Já em 18 de fevereiro, a regra se torna ainda mais restritiva. Apenas clientes com status Silver ou superior no Qantas Frequent Flyer poderão emitir bilhetes de primeira classe da Emirates. Membros sem status elite deixam de ter acesso a esse tipo de resgate.
A Qantas informa que bilhetes já emitidos permanecem válidos. No entanto, alterações realizadas após as datas de vigência passam a seguir as novas regras.
Nova tabela aumenta o custo dos resgates
O maior impacto ocorre a partir de 31 de março de 2026, quando entra em vigor a nova tabela de resgates da Emirates dentro do programa Qantas Frequent Flyer.
Embora a companhia afirme que a classe econômica segue competitiva, os reajustes são expressivos nas cabines superiores, especialmente na executiva e na primeira classe.
Isso significa que o passageiro precisará de mais pontos para voar exatamente nas mesmas rotas.
Exemplo prático
- Executiva entre São Paulo e Dubai: passa a exigir 143.000 pontos por trecho
- Primeira classe na mesma rota: sobe para 234.500 pontos, além de taxas
Nova tabela Qantas Frequent Flyer para voos da Emirates
Valores por trecho, conforme a distância total percorrida:
| Zona | Distância (milhas) | Econômica | Executiva | Primeira Classe |
|---|---|---|---|---|
| 1 | 0 – 600 | 10.200 | 21.000 | 34.800 |
| 2 | 601 – 1.201 | 15.200 | 31.500 | 52.400 |
| 3 | 1.201 – 2.400 | 22.800 | 46.000 | 78.400 |
| 4 | 2.401 – 3.600 | 25.700 | 73.400 | 123.200 |
| 5 | 3.601 – 4.800 | 31.900 | 90.000 | 147.800 |
| 6 | 4.801 – 5.800 | 39.900 | 108.000 | 177.300 |
| 7 | 5.801 – 7.000 | 47.600 | 125.400 | 205.000 |
| 8 | 7.001 – 8.400 | 53.100 | 143.000 | 234.500 |
| 9 | 8.401 – 9.600 | 64.800 | 167.000 | 273.400 |
| 10 | 9.601 – 15.000 | 69.900 | 182.900 | 299.300 |
Taxas altas seguem pesando contra os resgates
Mesmo antes das mudanças, os resgates da Emirates via Qantas já eram conhecidos pelos encargos elevados, incluindo sobretaxas que podem atingir valores expressivos.
Em alguns cenários, o custo adicional em dinheiro se aproxima de tarifas promocionais pagas, o que reduz de forma significativa o benefício do uso de pontos.
Com o novo cenário, o passageiro passa a lidar com três fatores ao mesmo tempo:
mais pontos exigidos, menos flexibilidade e taxas elevadas.
Conclusão
As mudanças mostram uma estratégia clara da Qantas de restringir o acesso às cabines premium da Emirates e concentrar esses produtos em clientes com maior engajamento no programa.
Para quem não possui status elite ou viaja com crianças, a primeira classe praticamente deixa de ser uma opção. Já para os demais, o aumento no custo total exige uma análise muito mais criteriosa antes de emitir.
Na prática, o Qantas Frequent Flyer perde competitividade como ferramenta para resgates premium na Emirates, reforçando uma tendência já visível no mercado: pontos continuam acumulando, mas resgatar bem está cada vez mais difícil.

