
A Azul Linhas Aéreas confirmou uma mudança importante em sua política de benefícios no Aeroporto Internacional de Viracopos. A partir de 1º de abril de 2026, o acesso ao Lounge Azul será restrito, atingindo diretamente clientes do programa Azul Fidelidade e portadores de cartões co-branded do Itaú.
A decisão afeta um dos serviços mais utilizados pelos passageiros frequentes da companhia e sinaliza um redesenho claro da estratégia de benefícios adotada nos últimos anos.
O que muda no acesso ao Lounge Azul em Viracopos
Segundo comunicado enviado pela Azul aos clientes, deixarão de ter acesso automático ao lounge:
- Clientes da categoria Diamante do Azul Fidelidade
- Titulares dos cartões Azul Itaú Platinum
- Titulares dos cartões Azul Itaú Infinite
- Titulares do cartão Azul Itaú Skyline
De acordo com a empresa, o ajuste faz parte de uma revisão de produtos e benefícios, com o objetivo de tornar a experiência mais adequada ao perfil de cada cliente e à capacidade operacional da sala.
Quem continuará com acesso ao lounge
Com as novas regras, o acesso ao Lounge Azul em Viracopos ficará restrito aos seguintes perfis:
- Passageiros da Azul voando em classe executiva
- Clientes elegíveis por meio dos programas LoungeKey e Priority Pass
- Clientes da categoria Diamante Unique
- Clientes da United Airlines nas categorias Global Services, 1K, Platinum e Gold
- Acesso pago:
- Adulto: R$ 200
- Criança (2 a 11 anos): R$ 100
- Bebês até 1 ano: gratuito
A Azul também informa que o acesso pode ser limitado conforme a lotação da sala. Além disso, LoungeKey, Priority Pass e Day Pass seguem a regra de entrada até três horas antes do embarque.
Impacto direto no principal hub da companhia
A mudança tem peso maior por ocorrer em Viracopos, principal centro de conexões da Azul. Para muitos clientes frequentes, o lounge fazia parte da experiência padrão de viagem, especialmente em conexões longas e voos internacionais.
Nos últimos anos, o espaço passou a operar constantemente próximo do limite, com períodos de superlotação e perda de qualidade no atendimento. Esse cenário deixou claro que o modelo de acesso amplo se tornou insustentável.
Cartões premium demais e custo elevado
O contexto do mercado ajuda a explicar a decisão. O Banco Itaú ampliou de forma significativa a concessão de cartões premium, permitindo acesso a produtos que, na prática, passaram a atingir um público muito maior do que o originalmente planejado.
Muitos desses clientes, inclusive, não possuem perfil financeiro compatível com a manutenção das anuidades nem com o custo real dos benefícios associados, como acesso irrestrito a salas VIP próprias. Diante disso, a correção do modelo era apenas questão de tempo.
Status elevado não é benefício permanente
Em mercados internacionais, nenhuma companhia aérea concede status máximo de forma permanente apenas pela adesão a um cartão co-branded. Quando esse tipo de incentivo existe, ele costuma ser temporário, com prazo definido e foco em estimular adesões ou testar demanda.
No caso da Azul, o acesso facilitado ao status e aos lounges se estendeu por um período longo demais, sem ajustes proporcionais. Benefícios têm custo operacional elevado e, quando distribuídos de forma excessivamente fácil, acabam sendo revistos.
Redução de benefícios era o caminho natural
A retirada do acesso ao Lounge Azul em Viracopos não representa uma surpresa para quem acompanha o setor. Trata-se de uma correção lógica em um cenário no qual benefícios foram concedidos de maneira ampla, rápida e sem contrapartidas claras.
O excesso de clientes elegíveis comprometeu a exclusividade do espaço e elevou os custos. A alternativa encontrada pela companhia foi restringir o acesso e preservar a experiência para um público menor.
Conclusão
Diante de um cenário em que o Itaú liberou cartões premium de forma facilitada, inclusive para clientes sem condições reais de sustentar anuidades e benefícios, a correção do “jogo” era inevitável. Nenhuma companhia aérea, em nenhum lugar do mundo, sustenta benefícios de alto custo com acesso irrestrito e permanente.
Se uma empresa decide conceder vantagens desse nível, o normal é que sejam temporárias, como incentivo comercial. Não foi o que ocorreu com a Azul. O resultado natural é a redução de benefícios que foram conquistados com extrema facilidade, mas que possuem custo elevado. O movimento atual não é exceção, é consequência.

